Artigo | Especiarias & Ervas Aromáticas | (Gengibre - Manjerona)

Continuamos o nosso glossário de especiarias e ervas aromáticas, ainda inspirados pela reportagem do Globo Repórter, programa de reportagens jornalísticas da Rede Globo, sobre as propriedades medicinais de especiarias e ervas. Como tínhamos combinado, só serão abordadas algumas ervas e especiarias em cada artigo, ordenadas alfabeticamente. Neste artigo encontra as seguintes ervas ou especiarias: gengibre, gergelim, girassol, hortelã, jasmim, louro e manjerona.

Aproveite para conhecer os artigos anteriores do glossário de especiarias e ervas aromáticas:

A Mãe Natureza proporciona ao homem uma infinidade de plantas com valores medicinais e nossos ancestrais sempre souberam se aproveitar desta riqueza, pois o uso das plantas medicinais existe desde o início dos tempos. No princípio existia apenas o conhecimento empírico. Hoje, porém, muitas pesquisas científicas comprovam as propriedades medicinais de várias plantas, comprovando (ou não) o uso popular destas plantas.

É importante ressaltar que, ao contrário do que muitos imaginam, algumas plantas fazem mal à saúde e por isso não devemos fazer uso indiscriminado desta terapia. Sempre que possível, procure orientação de profissionais da área e não tome qualquer tipo de chá encontrado no mato, pois algumas espécies são muito parecidas e você pode usar uma espécie perigosa por engano.

Gengibre

Planta rizomatosa, de folhas compridas e ovaladas e flores amarelas. A utilização do gengibre na culinária tem suas origens nas mais antigas civilizações. Os chineses já o usavam no século VI a.C., assim como os comerciantes árabes antes do primeiro século d.C. O gengibre chegou à Europa vindo do Oriente Médio com as Cruzadas e já era um ingrediente presente em quase todas as receitas de um livro de culinária da corte real inglesa datado de 1390. É muito usado na cozinha brasileira, principalmente no Norte. Ralado é imprescindível no vatapá, por exemplo. Raiz de sabor e cheiro forte, mas agradável, quente, doce e picante. Moído, é ideal para bolos, pães, molhos, sopas, aperitivos, carnes, peixes, aves, legumes, saladas e frutas. O gengibre também é um ingrediente tradicional na medicina popular, porém ainda são necessárias investigações detalhadas que comprovem cientificamente os efeitos dessa raiz. Uma boa maneira, por exemplo, de aliviar os calafrios e a congestão de um resfriado é preparar um chá de gengibre. Não deve ser consumido por gestantes e pessoas com problemas de cálculo biliar.

Gergelim

Semente de uma erva com rico sabor de nozes. Use-as cruas sobre bolachas, bolos e pães, antes de levá-los ao forno. Torradas (em frigideira ou forno) sobre canapés, saladas e arroz. Geralmente utilizado em bolos, pães, pratos da culinária chinesa ou sírio-libanesa. Fica ótimo polvilhado sobre galinha, peixe ou macarrão, antes de ir ao forno. A semente preta de gergelim é utilizada no preparo do chamado gersal (mistura do grão com sal), muito usado pela medicina fitoterápica. O gersal é considerado um alimento ideal para tirar a acidez do sangue, aumentar a atividade e o reflexo cerebral, combater as doenças sexualmente transmissíveis e para fortalecer a pele. Extraído da semente do gergelim, o óleo de sésamo traz em sua composição substâncias como sesamina, sesamolina e sesamol, que têm propriedades antioxidantes e previnem o câncer. O ácido graxo ômega 3, benéfico ao coração, também está presente neste óleo, que é muito usado em massagens, por fortalecer a pele.

Girassol

Planta sublenhosa, com flores amarelas ou alaranjadas, folhas verde-esbranquiçadas e frutos achatados. O girassol, com sua cor amarelo-ouro e alegria tropical, se espalhou pelo mundo, colorindo casas, campos e até quadros de pintores famosos, como Van Gogh. As sementes, flores e óleo são utilizadas na culinária. As sementes torradas condimentam vegetais, saladas, molhos e patês. O óleo de girassol também é bastante apreciado, principalmente por conter menos colesterol que o óleo de soja, sendo de excelente indicação para dietas de restrição alimentar para pacientes com altas taxas de colesterol. Os botões florais são cozidos e servidos como espargos e as flores são usadas em saladas. O girassol promove o equilíbrio, é calmante e ajuda a dar elasticidade à pele.

Hortelã

Planta herbácea, de até 80 centímetros de altura. A mitologia grega e a Bíblia já faziam referência à hortelã e os romanos usavam-na como símbolo de hospitalidade e para o mau hálito, As folhas são ovaladas e serrilhadas nas bordas e as flores são de cor violeta. As folhas, flores e o óleo essencial são aproveitados na cozinha. Na culinária (em especial na árabe), a hortelã é muito usada no preparo de molhos, para aromatizar pratos salgados, além de dar um sabor especial a bebidas e sobremesas. Suas folhas frescas dão aroma especial a saladas, caldas e pratos feito à base de carne e de peixe. Seu chá também é bastante apreciado. Não é indicado para gestantes, lactantes e crianças. Na forma de chá, a hortelã auxilia na digestão, na eliminação de gases e de secreções do pulmão. É, também, indicada no combate dos parasitas, para cólicas intestinais e no tratamento da diarréia. Ajuda ainda no funcionamento da vesícula biliar, no tratamento da insônia, das dores de cabeça e da congestão das vias aéreas superiores.

Jasmim

Trepadeira lenhosa de até 6 metros de altura, com flores brancas, amarelas ou rosadas e fruto escuro e em forma de baga. As flores são utilizadas como aromatizante na culinária. É aproveitado principalmente para aromatizar doces. Seu chá também é apreciado para acompanhar refeições e lanches. Sua essência é largamente empregada. O jasmim é um importante auxiliar no combate ao nervosismo, ao estresse, a tristeza e à insegurança. Também é considerado afrodisíaco. O chá é considerado revitalizante e afastará a sonolência excessiva. É diurético e combate acessos de asma.

Louro

Árvore que pode chegar a ser de grande porte, com caule erecto e de casca lisa, folhas duras e brilhantes, flores pequenas e amareladas. As coroas feitas com estas folhas tornam-se a marca de excelência de poetas e atletas, e, para os Romanos, o loureiro era o símbolo da sabedoria e da glória. Companheiro da glória e do sucesso, símbolo da poesia, o louro é amigo das letras. Pode ter vindo originalmente da Ásia Menor, mas está na região mediterrânea há tanto tempo que se pensa nele como sendo uma planta nativa desta região. Apenas suas folhas são usadas como condimento, sendo que o pau de loureiro se usa como pau de espetadas. Frescas, e mais frequentemente secas, as folhas de louro, junto com seu companheiro inseparável - o tomilho - fazem parte da composição do ‘bouquet garnis’. É indispensável nos caldos, cozidos, feijão, marinadas, molhos, peixes ao forno, porco assado, arroz, etc. Em geral, seja qual for o prato, uma simples folha de louro é suficiente. A folha deve ser retirada após o cozimento para não azedar a comida. Utilizado em pequenas quantidades, é ideal na preparação de molhos, legumes, assados, carnes e frutos do mar, tem um sabor aromático e agradável. Alivia cólicas menstruais e ajuda a curar afecções de pele e do ouvido. Atua contra cansaço e auxilia no tratamento de hemorróidas, reumatismo e contusões. Em infusão ajuda a fazer a digestão e estimular o apetite. As folhas também são usadas no preparo de unguentos (por exemplo a pomada com o sumo das folhas misturada com lanolina ou vaselina para picada de insetos).

Manjerona

Planta herbácea, de caule lenhoso, folhas pequenas e verde-acinzentadas e flores pequenas e brancas. Diz-se que a manjerona, com o seu aroma suave e picante, foi criada por Afrodite como símbolo da felicidade. Os gregos gostavam do seu perfume depois do banho, pelo que massajavam a testa e o cabelo com óleo de manjerona. A manjerona foi introduzida na Europa durante a Idade Média, e era muito procurada pelas senhoras para fazer ramos e saquinhos de cheiro e para perfumar a água das lavagens. São as folhas e flores que se aproveitam para condimentar alimentos devido ao seu sabor adocicado e picante. Quando fresca apresenta um sabor mais suave e deve ser acrescentada no fim do cozimento, para que sua frágil essência não se dissipe. Seca fica um pouco mais picante e deve ser adicionada cinco a dez minutos antes do prato ser servido. De sabor requintado, semelhante ao orégano, é ideal para valorizar carnes e aves, pratos à base de tomate, sopas, saladas e com manteiga derretida em peixes grelhados. O responsável pelas propriedades medicinais da manjerona é seu princípio ativo, constituído por tanino e óleo essencial, que garante o efeito expectorante e digestivo. Na forma de chá, a erva pode ajudar no tratamento contra o reumatismo e todas as formas de artrite. A inalação feita com a erva ajuda a eliminar o muco nas gripes e resfriados, prevenindo sinusites. Na cosmética caseira, a planta é usada em banhos relaxantes e como tônico capilar. Na aromaterapia, sua fragrância suave e calmante aquece e reconforta, daí sua ação benéfica sobre o sistema nervoso. O óleo essencial atua positivamente no metabolismo e nos órgãos genitais.


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