Receita | Pasteis de Tentugal

Já andava há algum com vontade de comer uns pastéis de Tentúgal, doce conventual típico de Portugal, confeccionado em Tentúgal há mais de 400 anos e que tem na sua base a massa folhada. Esta massa é única no mundo, não só nos ingredientes (é composta apenas por água e farinha), como nos métodos de produção, que fazem com que o resultado final seja uma massa finíssima e delicada.  Como tal, os pastéis de Tentúgal têm a reputação de serem de difícil confecção.

A confeção dos pastéis é muito sensível e a sua qualidade sofre alterações, com as características das farinhas, ovos e climatéricas, assim como da componente humana em que a arte da Pasteleira tem influência primordial em toda a sua confeição.

Neste momento, os pastéis de Tentúgal estão no processo de candidatura à categoria de Indicação Geográfica Protegida (IGP) da União Europeia, um passo crucial para a proteção e valorização deste doce conventual multissecular.

Como em Fortaleza não se vendem destes pastéis (já encontriei pastéis de nata, mas destes nada), recorri ao meu oráculo da culinária (a minha mãe) para me dar uma receita deste doce. Ela, como sempre, lá desencantou esta que segue de perto a receita tradicional, que é bastante complicada. E foi bastante complicado fazer os pastéis, conseguir que a massa fique quase transparentes é trabalho de paciência e de mestria. No entanto, ficaram bastante bons e especialmente a aparência final foi uma surpresa.

Como uma sobremesa doce, pode acompanhar ncom um licor ou um bom vinho do Porto.

Ingredientes

Massa:

500 g de farinha
2 colheres de sopa de manteiga
2 dl de água
sal
200 g de manteiga (aprox.)
açúcar em pó

Recheio:

250 g de açúcar
12 gemas de ovos
1,5 l de água 

 

Preparação

Peneire a farinha várias vezes para dentro de um alguidar e faça uma cova no meio onde deve deitar a manteiga (ou margarina) derretida. Misture. 

Aqueça a água onde previamente dissolveu o sal. Adicione a água, pouco a pouco, à farinha, trabalhe bem todos os elementos, amassando até a massa se despregar das mãos. Molde a massa em bola e coloque num prato previamente polvilhado com farinha. Polvilhe a massa também com um pouco de farinha e cubra com uma tigela aquecida. Deixe repousar durante 30 minutos pelo menos.

Faça ferver, durante 3 minutos, o açúcar com a água e deixe arrefecer. Misture depois as gemas batidas e leve novamente ao lume, mexendo sempre com uma colher de pau até ferver. Retire do lume, continuando a mexer. Depois deixe num recipiente frio e deixe arrefecer por completo.

Estenda um pano sobre a mesa. Pincele a superfície da massa com um pouco de manteiga derretida (ou azeite) e começe a retirar bocadinhos de massa, que se estendem, primeiro, com o rolo, e, depois, se esticam com os dedos, tendo o cuidado de não romper a massa. Esta deve ficar tão fina como uma folha de papel de seda. Antigamente, estendia-se a massa no chão com um lençol branco muito bem lavado por baixo da massa e, por cima outro lençol. Depois, a massa era estendida com os pés (a pessoa passava por cima do lençol até que a massa ficasse quase transparente.

Corte esta massa em rectângulos com 14 cm por 10 cm. As bordas de massa espessas não devem ser aproveitadas para as folhas dos pastéis.

Derreta a manteiga (ou margarina) em banho-maria. Depois sobreponha quatro folhas de massa, pincelando-as com manteiga derretida à medida que se vão sobrepondo.

Coloque duas colheres de sopa de ovos-moles sobre o rectângulo de massa (com quatro folhas) e enroleo pastel. Dobre as pontas para cima e levam-se os pastéis a cozer rapidamente em forno forte. Polvilhe com açúcar em pó (o chamado “açúcar inglês”).


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